quinta-feira, 3 de março de 2016

Resenha: Meu Amiguinho do Espaço (Alan Borges)


Autor: Alan Borges
Páginas: 98
Gênero: Literatura juvenil
Nota: (4/5)
Editora: Chiado
Edição: 1/2015

SINOPSE: Ah, ainda lembro-me dele. Já se passaram tantos anos, mas parece que foram apenas alguns dias. Lembro-me dele, como se o tivesse visto há poucos instantes. Mesmo depois de crescido e envelhecido, ainda sinto a sua falta. E não há nada que possa amenizar minha saudade, a não ser... O sorriso das estrelas. Elas ainda me confortam... Te contarei um pouco desta história, que faz parte da minha. O descreverei aqui, para vocês... Não posso falar-te muito a respeito. Precisaria de um livro de um milhão de páginas. Irei resumir, mas não te preocupes: revelarei momentos extraordinários e falarei de algo incrível que nunca esqueci.

Nota do autor: Um livro de literatura juvenil, mas que os pais deveriam ler. Uma história breve, simples, entretanto, tolhida de ensinamentos, e aliciante do começo ao final. Embarque em uma narrativa filosófica e poética onde o autor apresenta um menino e um ser de outra galáxia para nos mostrar com esmero, sobre como se viver sabiamente.

“Eu nunca havia tido um amigo de verdade, alguém que em pudesse realmente considerar de melhor amigo de toda a vida. Havia um, na escolinha... mas ele não era meu melhor amigo de toda a vida, eu havia interpretado mal. (Às vezes, nós deturpamos as coisas). O meu melhor amigo de toda a vida era de uma galáxia muito distante, não se assemelhava com os humanos, que estão sempre a nos confundir.”

O enredo do livro gira em torno de diversas conversas entre uma criança e um ser do espaço, que veio à Terra com a missão de preparar tal criança para a vida. Dessas conversas surge uma grande amizade. Essas conversas, o comportamento do alienígena em relação às perguntas da criança e a ingenuidade e pureza desta última nos remetem a reflexões em diversas áreas: Infância, Amizade, Ambição, Insegurança, Coragem, Medo, Persistência, Bondade, Maldade... enfim... de tudo o que rodeia a vida e o viver do ser humano, sempre incentivando a seguir em frente e a ultrapassar seus próprios obstáculos.
 
“- Você torna sua própria vitória impossível quando deixa o medo e a falta de confiança o consumir.”“- O medo, a ausência da força de vontade, a falta de objetividade, o temor de fracassar sem ao menos tentar – escorregava a vozinha de lá de cima, me preenchendo os ouvidos. – Não tema o fracasso e alcançará o sucesso.”

A obra é relativamente curta, com uma linguagem simples e de fácil entendimento, possibilitando uma leitura rápida e de qualidade. Foi justamente a simplicidade do enredo e dos personagens que me conquistaram, não apenas como leitora mas também como profissional que atua com crianças. Tenho certeza de que este livro seria muito bem aproveitado em escolas e não apenas nas turmas de ensino fundamental.

Minha única ressalva é ao fato do que o autor diz sobre o choro, afirmando que “... grandes heróis nunca devem chorar.” Acho importante trabalhar com os jovens (e com os adultos) a necessidade e a importância do chorar. Acredito que dizer a uma criança que não se deve chorar é o mesmo que proibi-la de mostrar o que sente, visto que chorar não significa apenas tristeza. Ainda assim, este tema traria um rico debate em salas de aula de diferentes faixas etárias.

Alan, parabéns pelo trabalho! Seu livro tem grande importância no cenário atual, onde a sociedade, pelo menos em grande parte das vezes, parece estar esquecendo-se do que realmente é importante nessa aventura que é o VIVER!

Para quem gostou dessa dica de leitura, garanta o seu através do site da Editora.