sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Resenha: Guerreiras de Gaia (Gisele Mirabai)


Páginas: 264
Gênero: Ficção, Aventura, Infanto-Juvenil
Nota: (4/5)
Editora: Gaia
Edição: 2/2015
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SINOPSE: Uma estudante introvertida, uma dona de casa generosa, duas gêmeas de beleza incomparável e uma rigorosa professora de Física. O que poderia uni-las? Estas cinco mulheres, que levam uma vida perfeitamente normal, têm seus destinos atravessados por um amulato, acontecimento que as transporta para Gaiatmã, uma esfera da existência humana na Terra que está em perigo por conta da maldade dos Metazeus. Recrutadas, as cinco companheiras recebem os ensinamentos dos mestres Jedegaias. O treinamento as leva a descobrirem e desenvolverem suas virtudes. De posse desse desenvolvimento interior, nossas guerreiras utilizarão sua intuição e suas energias para preservar o bem fundamental à vida que os Metazeus desejam destruir: o ar que respiramos.

“Para cada um de nós está reservada uma missão, e eu não poderia fugir da minha.”

Kitara nunca imaginou que, ao perder um ônibus, sua vida sofreria tantas mudanças... No ônibus seguinte, havia um pacote preto no único assento vazio, mas que parecia ter sido esquecido ali... Kitara o segurou para poder sentar-se e, ao descer, acabou esquecendo-se de deixar tal pacote de volta no banco, levando-o consigo. Depois de muita resistência, decidiu abrir o pacote para tentar encontrar algum indício do dono... para seu espanto, o pacote estava endereçado a ela própria... um colar com uma linda e brilhante pedra azul. É aí que sua vida começa a mudar. Buscando saber mais sobre o misterioso colar, acaba descobrindo que ele foi dividido em cinco partes, sendo necessário reuni-las. Cada parte estava com uma mulher e, unindo-as, foram transportadas para outra dimensão chamada Gaiatmã.

“É... bem, o céu estava... a lua iluminava, o vento ventava, as árvores... a vida... não. Definitivamente não. Não posso descrever como se encontrava Gaiatmã naquele momento. Não agora. De fato, aquela é uma terra tão bonita que é preciso muita inspiração até mesmo para transpor uma leve impressão para o papel.”“... Eu também gostaria de morar ali para sempre. [...] Aquilo tudo era deslumbrante, todo aquele festival de cores, sons e aromas, eu jamais tinha visto um lugar onde tudo estava exatamente no lugar deveria estar... Nossa! Gaiatmã me deixa até tonta de tão inebriante.”

Ali receberiam as respostas de que precisavam ao tomar conhecimento de toda a história do mundo, bem como, fariam um treinamento para se tornarem aptas a proteger o futuro dos seres vivos, ou seja, lutariam para que o ar que respiravam não fosse roubado. Esse treinamento seria um tanto peculiar, uma vez que a força física ficaria em segundo plano. Ali seriam trabalhadas e potencializadas as virtudes de cada uma. Para isso, deveriam passar por diversas provas para descobrir qual virtude se sobressaia em cada uma, enfrentando medos, usando a razão, o raciocínio e a fé em si mesmas.

“Mesmo com todas as dificuldades, é preciso continuar para que possamos descobrir a verdade e finalmente enxergar a luz no fim do túnel. Só depois que passamos pelo sofrimento, conseguimos perceber a riqueza que ele nos trouxe, só então enxergamos todo o material precioso que ganhamos em forma de aprendizado e experiência”.

A premissa do livro é o reencontro do ser humano consigo mesmo, resgatando o melhor que existe em nós. O avanço da tecnologia acaba, muitas vezes, aumentando a ambição e ganância de muitos, que esquecem o verdadeiro significado da vida e do viver e acabam por dar importância exacerbada ao poder e a muitos bens materiais, digamos, supérfluos. O livro retrata essa busca de si mesmo magicamente, mostrando uma floresta encantada, um mundo cheio de animais e seres mágicos. O enredo muito bem construído e a linguagem de fácil entendimento faz a leitura acessível a todas as idades, principalmente crianças e jovens, que poderão tirar diversos ensinamentos. Os personagens foram criados de forma ímpar, cada um com sua personalidade bem definida e com algo a nos ensinar. Vi-me torcendo por alguns, sentindo raiva de outros e, até mesmo, me espantando com certas situações da história que me remetiam à vida real, cheguei até mesmo a recordar algumas notícias de jornais que falavam sobre a interferência do homem no meio ambiente. Confesso que achei alguns trechos um pouco cansativos, mas nada que diminua a qualidade da história e, principalmente, de seus ensinamentos (Dos quais, vários tenho que trabalhar... sei disso...rs). A narrativa tem também, diversas partes muito divertidas, dessas a que mais me divertiu foram as manobras feitas para que o colar chegasse às mãos de Felícia! rsrs

“...Assim como existe o verão e o inverno, o dia e a noite, a morte e a vida, existem as energias positivas e as energias negativas. Por isso é importante passar por elas mantendo sempre o Equinje (equilíbrio), para não se deslumbrar demais com as alegrias nem se decepcionar demais com as tristezas. Lembrem-se: a roda não para de girar.”

A autora está de parabéns por trazer temas sérios referentes ao desenvolvimento da sociedade e ao próprio ser humano de forma leve e agradável, fazendo-nos refletir sobre passado, presente e futuro, sobre nossos erros e acertos. Acredito que este livro seria uma ótima opção de leitura nas escolas, uma forma de trabalha-lo mais detalhadamente, tenha certeza de que haveriam debates riquíssimos.  
Este é o primeiro livro de uma Tetralogia, e o segundo volume tem a previsão de lançamento para o final de 2016.



Espero que tenham gostado dessa dica de leitura! Por favor, deixem seus comentários e para que possa buscar sempre melhorar o Livros da Beta. Bjss